Compliance & LGPD

ESG e Sustentabilidade: Impacto nas Demonstrações Financeiras

Os critérios ESG (Environmental, Social and Governance) deixaram de ser uma tendência para se tornarem um componente estrutural do mundo corporativo. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) acompanham o movimento global de integração da sustentabilidade às demonstrações financeiras, criando novas obrigações para empresas de capital aberto e, progressivamente, para companhias de grande e médio porte.

A AUD</>PER acompanha de perto essas transformações regulatórias e auxilia empresas na preparação de relatórios de sustentabilidade com a mesma qualidade e rigor aplicados às demonstrações financeiras tradicionais.

O novo paradigma: finanças e sustentabilidade integradas

Historicamente, as informações financeiras e os dados de sustentabilidade eram tratados como universos paralelos. As demonstrações contábeis refletiam o desempenho econômico, enquanto os relatórios de sustentabilidade — quando existiam — ficavam relegados a uma publicação institucional com pouca integração. Esse cenário mudou radicalmente com a criação do International Sustainability Standards Board (ISSB) e a publicação das normas IFRS S1 e IFRS S2.

Marcos regulatórios

A IFRS S1 trata dos requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, enquanto a IFRS S2 foca especificamente nos riscos e oportunidades relacionados ao clima. No Brasil, a CVM já sinalizou a adoção progressiva dessas normas.

Impactos nas demonstrações financeiras

A integração ESG afeta as demonstrações financeiras de múltiplas formas. Os principais impactos identificados pela AUD</>PER em seus trabalhos de auditoria incluem:

Provisões e passivos ambientais

Empresas com passivos ambientais — como contaminação de solo, emissões acima dos limites legais ou obrigações de descomissionamento — precisam reconhecer provisões em suas demonstrações de acordo com o CPC 25. A ausência desse reconhecimento pode configurar distorção relevante nas demonstrações financeiras.

Impairment de ativos

A transição climática pode afetar o valor recuperável de ativos de longa duração, como usinas de energia fóssil, frotas de veículos a combustão e instalações industriais. O CPC 01 exige testes de impairment que considerem cenários climáticos, o que pode resultar em baixas contábeis significativas.

Receitas e custos vinculados a carbono

Com o avanço dos mercados de carbono, empresas começam a registrar créditos de carbono como ativos e obrigações de compensação como passivos. O tratamento contábil dessas transações ainda carece de normatização específica no Brasil, exigindo atenção redobrada dos auditores.

Divulgações em notas explicativas

As notas explicativas passam a exigir divulgações mais detalhadas sobre riscos climáticos, compromissos de descarbonização, governança ESG e métricas de desempenho. Investidores e analistas utilizam essas informações para avaliar a resiliência da empresa.

A sustentabilidade não é mais um relatório à parte — é uma dimensão integrada às demonstrações financeiras que afeta provisões, valor de ativos e a própria continuidade operacional.

Relatórios de sustentabilidade e frameworks

No mercado brasileiro, os principais frameworks utilizados para elaboração de relatórios de sustentabilidade são:

  • GRI (Global Reporting Initiative): o mais utilizado mundialmente, com foco em impactos econômicos, ambientais e sociais. Cerca de 78% das grandes empresas brasileiras utilizam o GRI como referência.
  • IFRS S1 e S2 (ISSB): normas focadas na materialidade financeira, voltadas para investidores e credores.
  • TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures): recomendações para divulgação de riscos climáticos.
  • SASB (Sustainability Accounting Standards Board): padrões setoriais para divulgação de fatores ESG material.

Assegurança e auditoria de relatórios ESG

Assim como as demonstrações financeiras necessitam de auditoria independente, os relatórios de sustentabilidade passam a exigir assegurança (assurance). A norma ISAE 3000 é a referência internacional para trabalhos de assegurança de informações não financeiras.

A assegurança pode ser de dois níveis:

  1. Assegurança limitada: fornece um nível moderado de confiança, baseado em procedimentos mais restritos (indagações e procedimentos analíticos).
  2. Assegurança razoável: fornece um nível elevado de confiança, similar ao de uma auditoria financeira, com testes substanciais de dados e processos.

Tendência global

A União Europeia já exige assegurança limitada para relatórios de sustentabilidade desde 2024, com previsão de evolução para assegurança razoável. No Brasil, a expectativa é que a CVM adote exigências similares para companhias abertas nos próximos 2 a 3 anos.

Desafios para as empresas brasileiras

A integração ESG às demonstrações financeiras apresenta desafios específicos:

  • Qualidade dos dados: muitas empresas ainda não possuem sistemas robustos de coleta de dados ambientais e sociais.
  • Competências multidisciplinares: a elaboração e auditoria de relatórios ESG exige conhecimentos em finanças, meio ambiente, ciências sociais e governança.
  • Consistência e comparabilidade: a multiplicação de frameworks dificulta a comparação entre empresas.
  • Greenwashing: a divulgação de informações enganosas ou superficiais pode gerar riscos legais e reputacionais.

Como a AUDÍPER pode ajudar

A AUD</>PER oferece serviços de consultoria e assegurança para relatórios de sustentabilidade, com uma equipe preparada para atender às exigências dos principais frameworks (GRI, ISSB, TCFD). Nosso trabalho inclui diagnóstico de materialidade, avaliação de controles sobre dados ESG, assegurança independente e assessoria na integração com as demonstrações financeiras.

Com 40 anos de experiência em auditoria, entendemos que a sustentabilidade é o futuro da contabilidade — e estamos prontos para guiar sua empresa nessa transição.

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